sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O Pronto Pagamento da Dentadura


O hospital era o Sta. Escolástica, pérola maior da organização sócio-oficial­burocrática de saúde do Estado. Ali se juntavam ações de saúde, política, burocracia, incompetência, muita besteira e às vezes até proficiência.
A velhinha muito simpática, D. Efigênia, 79 anos, fora internada na Clínica de Ortopedia, por fratura de fêmur. Bem acolhida, bem tratada foi se recuperando lentamente; tratamento longo, mais de 30 dias. Aos poucos foi conquistando a simpatia de todos no andar.
Sua dentadura, à noite, ela deixava enroladinha num guardanapo na mesinha de cabeceira. Naquele dia fatídico, ao descer cedo para um exame de R-X, esqueceu de colocá-la. A moça da limpadora, ao fazer a faxina matinal, deu com o embrulhinho e pensando tratar-se de restos de qualquer coisa, mais que depressa, vupt, no saco de lixo. E lá se foi a alegria de D. Efigênia, que esqueci de dizer, sempre foi muito risonha.
Ao retomar, à primeira refeição, a velhinha sentiu-se desguarnecida. E agora ! Procura daquí, procura dali, nas gavetinhas, em baixo da mesa, no guarda roupas, sob o colchão e tudo em vão. Até a vizinha de cama;sentindo-se um tanto quanto suspeita, ajudou a procurar. Nada.
Chamada a Enfermeira Chefe, instalou-se definitivamente o problema.
D. Efigênia, às vésperas de sua alta, não poderia sair, nem sairia, como ela mesmo declarou em alto e bom som, sem sua preciosa dentadura.
Comunicado o fato, por escrito, a instância superior e competente, começou a dança da papelada. Cada chefe, chefete, assistente, encarregado e até diretor deu seu abalizado e brilhante parecer: "proceder conforme a praxe", "consultar o setor especializado", "aqui por engano", "enviar ao SAME", "consultar o Departamento Jurídico", etc.etc. e outras pérolas da burocratice endêmica. Ainda bem que não mandaram a baboseira para o Serviço de Farmácia, tido e havido como um modelo de eficiência.
O memorando inicial já virara um processo; como não tinha destino certo, acabou chegando ao setor de Conservação e Reparos. O Encarregado, antigo de casa, sentindo o drama geral, aproveitou a garatuja dos pareceres e saiu-se com essa: "é conserto de dentadura ou fechadura"? E voltou tudo à estaca zero.
A paciente com alta anunciada mas não executada estava ansiosa; a família toda em pé de guerra, não podia financiar outra dentadura e queria a velhina fora do hospital, temerosa de uma tão mal falada infecção hospitalar. Nessa altura dos acontecimentos, toda a unidade já conhecia D.Efigênia. A turma da terceira idade se reunira e até faixas e cartazes foram colocados nos corredores. "ABAIXO A DITADURA, ELA NÀO SAI SEM DENTADURA". "FORA A DIRETORA, RACISTA E OPRESSORA". "D. EFIGÊNIA PARA SUPERINTENDENTE", aproveitaram a deixa, os inimigos políticos da administração.


Agora, o processo já alentado, seguiu para a Seção de Compras em ritmo de urgência. Como manda a Lei, foi aberta uma licitação pública sem muitas especificações; dentadura branca, uma, para mulher, idade 79 anos. Publicado em Diário Oficial, transcorrido 30 dias nenhuma proposta apareceu; talvez pela pouca quantidade do material; mesmo superfaturando ninguém se interessou.
E a paciente esperando ... Nesse período só comendo sopinhas e outros semi­sólidos, pois segundo a atendente ela estava "de dieta".
Considerado "deserto" o processo, como diz o jargão burocrático, cogitou-se de uma compra por pronto pagamento, em caráter urgentíssimo, antes que a imprensa noticiasse o inusitado e a Câmara de Vereadores de São Paulo votasse um projeto de lei outorgando a D. Efigênia, a medalha Tiradentes. Obviamente o pronto pagamento não funcionou. Os fornecedores credenciados deixaram de participar pois a compra era fora do comum. O problema tornou-se quase insolúvel.
Às pressas, foi convocado o Conselho de Administração que há muito não se reunia e a portas fechadas, em sessão secreta, discutiram o assunto. Soube-se posteriormente que o bate boca foi longo. Até palavrão saiu...
Quem furtou a dentadura? Por que o Superintendente não foi logo avisado? Onde andava a Diretora? Por que não enviaram o ofício à Farmácia? Talvez até resolvessem e não estaríamos nessa enrascada. E os dentistas, não foram consultados? Será que o Governador soube? Ai de nós...
Na iminência do caso chegar ao conhecimento da grande imprensa e a notícia divulgada internacionalmente, resolveu a superintendência nomear uma comissão de alto nível, composta de sete membros, todos notáveis (professores doutores, doutores professores, especialistas, consultores, etc.), para, num esforço conjunto e com prioridade total, equacionar e resolver o dilema, considerado por todos como o "bug do milênio", da instituição.
A tal Comissão, já denominada CBM, dotada de amplos poderes, teria 15 dias prorrogáveis por mais 7, para uma decisão final. Sob pena de rolarem cabeças.
É lícito dizer que o tal grupo, dispunha de verba para pagamento de horas extras, recebia diária de locomoção, verba de representação e tudo mais que uma equipe desse porte exige.
A família, nessa altura, mais preocupada com a Comissão do que com a infecção, resolveu agir. Levou ao hospital, através de um bondoso amigo, um protético que fez "in loco" um molde, e em poucos dias, D.Efigênia conseguiu sair, saudável e risonha com sua nova e brilhante dentadura, para felicidade dos amigos e alívio geral da comunidade. Soube-se depois que quem não gostou foi a CBM que já tinha recebido, por adiantamento, boa parte da verba, e já marcara passagem aérea de todos os membros para Natal, onde procederiam investigações, tendo em vista que o avô de D. Efigênia era rio -grandense do norte e usara dentadura por muito tempo. Mas isso é outra história e caberá ao Ministério Público apurar as responsabilidades.

Ri melhor quem ri por último

Amilcar Carleial

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Minha jóia rara


Ainda bem que não fui para guerra do Iraque!!!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Um Herói Das Arábias



Naquela noite dormira mal. Lá pelas tantas da madrugada acordei suado, preocupado, recordando aquele terrível sonho que tivera há pouco. Sonhei que tinha sido convocado pelas nações unidas (ONU) através de nosso departamento de defesa para junto às tropas americanas, invadir o Iraque. Por que eu? Há tempos tinha terminado o C.P.O.R. (centro de Preparação de Oficiais da Reserva) em Fortaleza e não queria me envolver naquela enrascada missão internacional, que todos sabiam como começara mas que ninguém, em sã consciência, preveria o final desta maldita aventura guerreira. De antemão, pelos meus conhecimentos de operações táticas adquiridas na caserna sabia que essa guerra como a do Vietnam, só trariam prejuízo e dor para as famílias americanas. Apesar de minha recusa inicial, o comando geral da ONU contra argumentou dizendo que eu e todos aspirantes daquele ano eram especialistas em guerra de guerrilha em terreno seco, principalmente em dunas arenosas, tipo mucuripe, papicú, lagoa seca, serra da meruoca e outros locais inóspitos. Inclusive, a maioria tinha feito estágio em corpos de tropa escializados como 23 bc, em Fortaleza, 25 bc em Terezina, regimento de obuses em natal e outros locais (o que era verdade). Portanto o alto comissariado da ONU tendo em mão nossos currículos resolvera nos convocar. E o governo brasileiro sem outra alternativa houve por bem aprovar tal pedido. Logo de manhã liguei para os colegas mais aguerridos: Pedro Gomes (gominho), José Alberto (priquitinho), Welington Cantal (caranguejo), Marcio Fonseca(lacrau), Altino (cotia) e outros. (como se vê ,muitos especialistas em batalha subterrânea), para saber se também eles foram convocados e a reação de cada um..Minha mulher, ao contar-lhe o sonho ficou preocupadíssima e logo me inquiriu. Você não vai não...né? Mais que depressa respondi. E onde ficam nossos brios de patriotas? Dos colegas, prováveis guerreiros das arábias recebi um sonoro: “deixa de sê besta rapaz! Vamos tomar umas e outras na praia do Cumbuco, que é melhor e menos perigoso “ ps – esta modesta crônica é uma homenagem do autor aos aspirantes de 1953 que conviveram juntos e consolidaram através do todos esses anos uma sincera amizade. Um abraço forte: Amilcar Carleial- 32

O TELESCÓPIO HUBBLEY E OS ÓCULOS DE JUAZEIRO






O SERTANEJO MORAVA NO CALDAS, PLENA SERRA DO ARARIPE, CIDADE PEQUENA, UMA VILA QUASE; CLIMA BOM , ÁGUA MELHOR AINDA, POVO SIMPLES E TRABALHADOR.
SEU JOCA VEIO À JUAZEIRO DO PADRE CÍCERO FAZER UMAS COMPRINHAS E PAGAR ALGUMA PROMESSA ANTIGA DEVIDA AO SANTO PADROEIRO.
LEMBROU-SE ENTÃO QUE PRECISAVA DE UM PAR DE ÓCULOS NOVO POIS O ANTIGO JÁ ESTAVA FRACO, DESFOCADO, E NÃO ENCHERGAVA QUASE NADA.
PROCUROU UMA ÓTICA MODESTA QUE NÃO LHE COBRASSE OS OLHOS DA CARA , NÃO ENCONTROU, MAS, FELIZ FICOU QUANDO AO DOBRAR A ESQUINA DA PRAÇA DEU DE CARA COM UMA BANQUINHA DE CAMELÔ CUJA PLACA DIZIA: “ VISTA VISION”- VEJA O MUNDO COM AS LENTES DO HUBBLEY E ENCHERGUE LONGE....
NOSSO AMIGO ANIMADO PELA PROPAGANDA (QUE DIZEM SER A ALMA DO NEGÓCIO) RESOLVEU INVESTIR NO VISUAL.
APROXIMOU-SE CAUTELOSAMENTE DA BANCA E FOI DIZENDO DA SUA NECESSIDADE.. O VENDEDOR, CAMELÔ FORMADO NA CAPIITAL,
CONHECIA BEM O ELEITORADO. PERGUNTOU EM PRIMEIRO LUGAR A IDADE DE SEU JOCA, SUAS PREFERÊNCIAS,COR DAS LENTES E SE DESEJAVA UM ESTILO TIPO RAY BAN , SHELEEBEAN OU VISCONTI , FICANDO O HOMEM MEIO ATRAPALHADO COM TANTAS NOVIDADES ESTILOSAS.
NOSSO CLIENTE DISSE A IDADE:: 61 ANOS, ACRESCENTANDO QUE A VISTA ANDAVA FRACA, DOR DE CABEÇA E OUTRAS MASELAS DA IDADE... O “PROFISSIONAL” JÁ CONHECIA DE COR ESTES SINTOMAS E MAIS QUE DEPRESSA SACOU UM PICINEZ APROPRIADO PARA AQUELA IDADE.. O CLIENTE GOSTOU DA ESTÉTICA, AROS BONITOS, MODERNOS, TUTI FRUT, ITALIANO, TIPO VUITON, COMO DISSE O RAPAZ.
SEU JOCA PEGOU, OLHOU E EXPERIMENTOU, MAS VERIFICOU QUE AS LENTES ERAM FRACAS. DEVOLVENDO O ARTIFICIO E TRAVOU-SE O SEGUINTE DIÁLOGO.
--QUANTOS ANOS O SENHOR FALOU QUE TINHA? 61? FALE A VERDADE HOME
--SEU JOCA CONFESSOU, 70 ANOS.
--AH, ASSIM É DIFERENTE, EXPERIMENTE ESTE.
DEU-LHE OUTRO QUE FOI VISTO E APROVADO A CONTENTO, NITIDEZ COMPLETA, VIDROS FUMÊ.. ADQUIRIU IMEDIATAMENTE UM AR BLASSÊ E LÁ SE FOI SEU JOCA FELIZ DA VIDA. ÓCULOS BOM , BONITO E BARATO UM VERDADEIRO MILAGRE DE MEU PADIM , PADRE CÍCERO. VALEU O PAGAMENTO DA PROMESSA.

F I M

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

... QUEM SABE ESTÁ FAZENDO QUEM NÃO SABE... ESTÁ ENSINANDO


Esta é a máxima mais adequada para a época atual. O presidente, continuamente deita falação sobre macro economia globalizada e os coroados da Wall Street e outras instituições financeiras pelo mundo à fora dão- lhe toda razão,pois a coisa está realmente preta. O que vai salvar a pátria amada é a descoberta, salvo engano, pelo nosso ministro de Minas e Energia do tal do “pré-sal” que eu chamaria de “pós-sal” pois essa enormidade de petróleo está encalacrada abaixo da camada estratificada do sal, a milhares de metros de profundidade na bacia de Campos . Mas como o Ministro falou e ele está ensinando, vamos ficar com todo este sal e entregá-lo ao ex-churrasqueiro oficial do Planalto, conhecido por Jorge Lorenzetti, ex- diretor do Banco do Estado de Santa Catarina . Este sim, entende do riscado e deveria ser o ministro das Minas, pois estaria o mesmo, em boas mãos. Continuando nessa linha de raciocínio, podemos dizer que não é à toa portanto, que o atual luminar energético do governo propõe a instalação de mais algumas dezenas de usinas nucleares em nosso país, que como sabemos,custa uma nota; fora o perigo latente e potente de uma involuntária falha no sistema de resfriamento(não esquecer Chernobyl) com prejuízos ambientais e humanos incalculáveis. Mas com o lucro da futura exploração oceanográfica pagar-se-á facilmente essa aventura.

Por falar no Ministro, que era Senador de nossa República, vale lembrar que ele transferiu todos seus conhecimentos para seu suplente, o filho lobinho, especialista em “laranjas” e outras frutas do maranhão. No momento, como um aluno aplicado que foi, deve estar ensinando aos outros Senadores (como se eles não soubessem...) a driblar o leão do fisco. Mas vamos e venhamos por que nos preocupar com tamanhas mesquinharias, quando temos mais de quarenta sumidades pensantes à bater palmas unidas em tudo que vem do planalto. Que Deus, como um bom brasileiro, nos proteja a todos. AMEM.