
Naquela noite dormira mal. Lá pelas tantas da madrugada acordei suado, preocupado, recordando aquele terrível sonho que tivera há pouco. Sonhei que tinha sido convocado pelas nações unidas (ONU) através de nosso departamento de defesa para junto às tropas americanas, invadir o Iraque. Por que eu? Há tempos tinha terminado o C.P.O.R. (centro de Preparação de Oficiais da Reserva) em Fortaleza e não queria me envolver naquela enrascada missão internacional, que todos sabiam como começara mas que ninguém, em sã consciência, preveria o final desta maldita aventura guerreira. De antemão, pelos meus conhecimentos de operações táticas adquiridas na caserna sabia que essa guerra como a do Vietnam, só trariam prejuízo e dor para as famílias americanas. Apesar de minha recusa inicial, o comando geral da ONU contra argumentou dizendo que eu e todos aspirantes daquele ano eram especialistas em guerra de guerrilha em terreno seco, principalmente em dunas arenosas, tipo mucuripe, papicú, lagoa seca, serra da meruoca e outros locais inóspitos. Inclusive, a maioria tinha feito estágio em corpos de tropa escializados como 23 bc, em Fortaleza, 25 bc em Terezina, regimento de obuses em natal e outros locais (o que era verdade). Portanto o alto comissariado da ONU tendo em mão nossos currículos resolvera nos convocar. E o governo brasileiro sem outra alternativa houve por bem aprovar tal pedido. Logo de manhã liguei para os colegas mais aguerridos: Pedro Gomes (gominho), José Alberto (priquitinho), Welington Cantal (caranguejo), Marcio Fonseca(lacrau), Altino (cotia) e outros. (como se vê ,muitos especialistas em batalha subterrânea), para saber se também eles foram convocados e a reação de cada um..Minha mulher, ao contar-lhe o sonho ficou preocupadíssima e logo me inquiriu. Você não vai não...né? Mais que depressa respondi. E onde ficam nossos brios de patriotas? Dos colegas, prováveis guerreiros das arábias recebi um sonoro: “deixa de sê besta rapaz! Vamos tomar umas e outras na praia do Cumbuco, que é melhor e menos perigoso “ ps – esta modesta crônica é uma homenagem do autor aos aspirantes de 1953 que conviveram juntos e consolidaram através do todos esses anos uma sincera amizade. Um abraço forte: Amilcar Carleial- 32

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